Ouvir o presidente da Fed a queixar-se da baixa inflação levanta-me, naturalmente, uma questão: afinal para que serve a Fed? E a resposta que me vem à cabeça é: para imprimir tanto dinheiro quanto o Estado americano precise para manter a falsa economia até às próximas eleições. O mesmo fez Alan Greenspan quando eram presidentes Bill Clinton e George W. Bush. Durante a presidência de Clinton, foi criada a bolha das dot-com, que acabou por estoirar nas mãos de Bush. Este, como também queria ser reeleito, saiu da crise criando uma bolha ainda maior, a do imobiliário. Note-se que quando se tenta sair de uma bolha criando uma bolha maior, o tempo do boom vai encurtando. O boom (quando a bolha cresce) é mais acelerado e maior, levando a que o bust chegue mais cedo e tenha maiores dimensões. É por isso que a próxima bolha, as das obrigações do Tesouro americanas, deve chegar nos próximos 2 ou 3 anos.
Voltando ao CPI, outro facto que quero salientar é que o CPI é calculado com substituição, hedonismo e não inclui comida nem energia (com o argumento de que são voláteis). Ou seja, se a energia e a comida duplicarem ou triplicarem de preço, o CPI até pode descer. A conclusão é que o CPI pode não traduzir minimamente a inflação. Se atendermos a que quase todas as commodities dispararam no último ano ou ano e meio (veja-se a prata, o cobre, o milho, a soja, o açucar, o algodão, etc, etc, etc...), como é possível que os preços no consumidor se mantenham? Se não contarmos com os produtos que mais subiram (comida e energia), trocarmos no cabaz os produtos que subiram de preço por outros que não subiram (substituição) e se considerarmos que alguns produtos aumentaram mais de qualidade do que de preço, o que os faz efectivamente mais baratos (hedonismo), é fácil. Difícil seria ter um CPI elevado.
Há ainda outro factor para que o CPI não suba como seria de esperar: os EUA têm um défice comercial enorme, principalmente com a China. Ora, uma grande parte dos USD imprimidos pela Fed são rapidamente enviados para os países com os quais os EUA têm défice comercial. Ou seja, muito do dinheiro imprimido pela Fed nem sequer entra em circulação nos EUA, apenas serve para pagar dívidas a outros países.
Ora, um país que está a passar um mau bocado por causa desta política de impressora da Fed é a China. É por culpa da Fed (e também por culpa própria da China, ao manter a sua moeda indexada ao USD) que a China está a passar por um período de grande inflação. Aproveito para esclarecer quem não saiba que inflação não é aumento de preços: o aumento de preços é uma consequência da inflação. A inflação é o aumento da quantidade de dinheiro existente e, como toda a gente já ouviu falar, quando a oferta aumenta, o preço baixa. No caso particular da moeda, quando há muita moeda para comprar a mesma quantidade de bens, o preço dos bens aumenta porque o valor da moeda baixa. E esta explicação sobre a inflação ajuda a perceber a gravidade da situação em que a China se encontra. Por um lado, para manter a indexação do yuan ao dólar, tem de imprimir yuan, que naturalmente perdem valor. Mas para piorar a situação, grande parte dos dólares imprimidos por Bernanke vão também parar à China, contribuindo para aumentar ainda mais a quantidade de dinheiro disponível. É por isso que os preços estão a escalar tão rapidamente na China.
E agora, deixo-vos com os comentários de Peter Schiff, muito mais eloquente que eu.
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