Monday, June 27, 2011

Agricultura Biológica

Alguns amigos que tenho em alta consideração gostam muito de agricultura biológica. Eu sempre encarei a agricultura biológica como algo de que as pessoas com bom gosto e com algumas posses gostavam. Era como se a agricultura biológica produzisse bifes do lombo e a agricultura não biológica produzisse carne do acém. Ou seja, tinha muito maior qualidade.

Há uns anos recordo-me de ter visto um documentário francês sobre agricultura biológica. O documentário concluia que os produtos de agricultura biológica tinham um teor de vitaminas residualmente superior ao da agricultura não biológica. Em alguns casos não havia sequer qualquer diferença. Nesta altura ainda vivia em casa dos meus pais e não ia ao supermercado e, naturalmente, não comprava vegetais, mas este documentário ficou-me marcado na memória. Não sei se ambas produzem bifes do lombo ou carne do acém, mas o que parece ser certo é que tanto a agricultura biológica como a agricultura não-biológica produzem vegetais indiferenciados, ou seja, se testarmos 2 vegetais não conseguimos distinguir qual deles é produto da agricultura biológica.

Ora, agora que vou ao supermercado e comparo preços de alguns vegetais, percebo que a agricultura biológica é uma agricultura para pessoas muito caprichosas (e ricas, convém que sejam ricas). Há uns dias, no pingo doce, comparei uns tomates biológicos com uns tomates não biológicos. Os primeiros custavam 12€/Kg, os segundos 1.49€/Kg. Se tivermos em conta que os produtos são virtualmente idênticos, a única diferença é o processo de agricultura em que foram produzidos, parece-me que não faz sentido comprar produtos biológicos.

Quando passamos ao assunto dos transgénicos, parece-me que se entra num outro domínio, em que as opiniões são muito mais extremadas (pelo menos do lado dos que não os aceitam).
Não sou especialista na matéria, mas o que é certo é que o homem cruza espécies de vegetais para tentar melhorar as características dos mesmos há séculos. A grande diferença entre estes cruzamentos e os transgénicos é que com a biotecnologia se podem "cruzar" espécies totalmente diferentes. Ou seja, enquanto que antigamente só podíamos cruzar dois tipos de milho, hoje podemos criar milho com um gene de uma abelha, de modo a que o milho produza uma toxina que faça com que determinadas pragas não o afectem.

Então por que razão há tanto medo? Porque é muito mais fácil meter medo do que discutir os assuntos de forma desapaixonada e racional (veja-se o caso do aquecimento global). Eu aceito que tenham de ser feitos testes com os alimentos transgénicos antes que estes possam ser comercializados, para garantir que não há efeitos nocivos para o ser humano. Mas rejeitá-los simplesmente por princípio parece-me não só errado como altamente prejudicial e egoísta. Há muita gente a passar fome no mundo inteiro e os alimentos transgénicos poderiam ter um papel crucial para suprir as carências alimentares dessas pessoas.


Note-se que apenas estou a pronunciar-me quanto à agricultura biológica, ou seja, não falei em produção de carne biológica, em relação à qual tenho uma opinião ligeiramente diferente.

Friday, June 24, 2011

Peter Shiff was right. And still is!

Segundo Ben Bernanke, presidente da Fed, a inflação nos EUA está muito baixa e ele pode ser obrigado a intervir para a aumentar ou, para bem entendedor, a iniciar QE 3. A função original da Fed era a estabilidade de preços. Ou, por outra palavras, combater a deflação e a inflação.

Ouvir o presidente da Fed a queixar-se da baixa inflação levanta-me, naturalmente, uma questão: afinal para que serve a Fed? E a resposta que me vem à cabeça é: para imprimir tanto dinheiro quanto o Estado americano precise para manter a falsa economia até às próximas eleições. O mesmo fez Alan Greenspan quando eram presidentes Bill Clinton e George W. Bush. Durante a presidência de Clinton, foi criada a bolha das dot-com, que acabou por estoirar nas mãos de Bush. Este, como também queria ser reeleito, saiu da crise criando uma bolha ainda maior, a do imobiliário. Note-se que quando se tenta sair de uma bolha criando uma bolha maior, o tempo do boom vai encurtando. O boom (quando a bolha cresce) é mais acelerado e maior, levando a que o bust chegue mais cedo e tenha maiores dimensões. É por isso que a próxima bolha, as das obrigações do Tesouro americanas, deve chegar nos próximos 2 ou 3 anos.

Voltando ao CPI, outro facto que quero salientar é que o CPI é calculado com substituição, hedonismo e não inclui comida nem energia (com o argumento de que são voláteis). Ou seja, se a energia e a comida duplicarem ou triplicarem de preço, o CPI até pode descer. A conclusão é que o CPI pode não traduzir minimamente a inflação. Se atendermos a que quase todas as commodities dispararam no último ano ou ano e meio (veja-se a prata, o cobre, o milho, a soja, o açucar, o algodão, etc, etc, etc...), como é possível que os preços no consumidor se mantenham? Se não contarmos com os produtos que mais subiram (comida e energia), trocarmos no cabaz os produtos que subiram de preço por outros que não subiram (substituição) e se considerarmos que alguns produtos aumentaram mais de qualidade do que de preço, o que os faz efectivamente mais baratos (hedonismo), é fácil. Difícil seria ter um CPI elevado.

Há ainda outro factor para que o CPI não suba como seria de esperar: os EUA têm um défice comercial enorme, principalmente com a China. Ora, uma grande parte dos USD imprimidos pela Fed são rapidamente enviados para os países com os quais os EUA têm défice comercial. Ou seja, muito do dinheiro imprimido pela Fed nem sequer entra em circulação nos EUA, apenas serve para pagar dívidas a outros países.

Ora, um país que está a passar um mau bocado por causa desta política de impressora da Fed é a China. É por culpa da Fed (e também por culpa própria da China, ao manter a sua moeda indexada ao USD) que a China está a passar por um período de grande inflação. Aproveito para esclarecer quem não saiba que inflação não é aumento de preços: o aumento de preços é uma consequência da inflação. A inflação é o aumento da quantidade de dinheiro existente e, como toda a gente já ouviu falar, quando a oferta aumenta, o preço baixa. No caso particular da moeda, quando há muita moeda para comprar a mesma quantidade de bens, o preço dos bens aumenta porque o valor da moeda baixa. E esta explicação sobre a inflação ajuda a perceber a gravidade da situação em que a China se encontra. Por um lado, para manter a indexação do yuan ao dólar, tem de imprimir yuan, que naturalmente perdem valor. Mas para piorar a situação, grande parte dos dólares imprimidos por Bernanke vão também parar à China, contribuindo para aumentar ainda mais a quantidade de dinheiro disponível. É por isso que os preços estão a escalar tão rapidamente na China.

E agora, deixo-vos com os comentários de Peter Schiff, muito mais eloquente que eu.

Thursday, June 23, 2011

QE 3 está já ao virar da esquina

No seguimento do meu anterior post, Too big to fail, too big to bail out, parece que a Fed decidiu adiar um pouco mais o bust com mais uma injecção de dinheiro e mais compra de títulos do Tesouro.

O presidente da Fed, Ben Bernanke, admitiu que, se a retoma económica que ele prevê que aconteça nos EUA não se confirmar, poderá ter de intervir no mercado através da compra de mais títulos do Tesouro.

Ou seja, se continuar a haver maus dados económicos nos próximos meses, a Fed dará início a QE 3. E depois virá QE 4, QE 5, até ao estoiro final.

Too big to fail, too big to bailout

Parece-me que o Estado Americano é too big to fail. Mas também me parece que será too big to bail out. A descida do valor dos títulos do Tesouro é uma certeza. Resta saber quão grande será a queda. Talvez seja a oportunidade de facturar à grande com a crise económica que se avizinha, da mesma forma que com os CDS na bolha imobiliária. A crise que aí vem vai ter uma característica diferente das anteriores: não houve tempo para o boom. Vamos passar de um bust enorme para um bust ainda maior. É sempre difícil fazer previsões temporais, porque o bust pode ser mais ou menos adiado pela Fed (quanto mais se adia, maior é o bust), mas parece-me que nos próximos 2-3 anos os EUA vão passar por sérias dificuldades.

As implicações que o fim do programa de Quantitative Easing II pode ter no mercado de títulos do Tesouro. A Fed tem comprado a quase totalidade da gigantesca dívida do Estado e a sua saída do mercado pode implicar uma grande redução na procura e fazer disparar os yields (baixar os preços das bonds).

A dívida federal americana já atinge os 70%. Há 3 anos era 40%, sendo que a média das últimas décadas é de 37%. A somar a esta dívida estão alguns estados que bem pior que Portugal ou Grécia.

Entretanto, há quem queira reduzir a dívida devido a estar prestes a ser atingido o limite legal. Mas os Democratas querem resolver o problema de outra maneira: aumentanto o limite da dívida. Até ao infinito e mais além!


Para podermos acompanhar o endividamento americano ao segundo, deixo este link (creio que seria uma ideia interessante criar algo semelhante para Portugal e para a Europa):
http://www.usdebtclock.org/index.html

Who doesn't like free rides?

Lendo esta notícia dá para ter a noção do tamanho do "social welfare state" que são os EUA.

"President Barack Obama's health care law would let several million middle-class people get nearly free insurance meant for the poor, a twist government number crunchers say they discovered only after the complex bill was signed."


"This is a situation that got no attention at all," added Foster. "And even now, as I raise the issue with various policymakers, people are not rushing to say ... we need to do something about this."

http://news.yahoo.com/s/ap/20110621/ap_on_bi_ge/us_health_overhaul_glitch

O contribuinte é que paga


Os EUA continuam a financiar a energia solar como se não houvesse amanhã.
A energia é um bem indiferenciado e a energia solar custa 5 vezes mais que a energia mais barata. Logo, o sector das energias renováveis só é rentável com subsídios, o que é equivalente a dizer que não é rentável. Contudo, os privados aproveitam esta belíssima oportunidade para ganhar dinheiro, o que é perfeitamente natural. O problema é que não vão ganhar dinheiro produzindo algo que o mercado está disposto a comprar e que eles conseguem vender com lucro. Os lucros virão exclusivamente dos bolsos do Estado, que decidiu de forma arbitrária que este sector precisa de ser apoiado.

Note-se que eu não excluo que as energias renováveis possam vir a ter um papel determinante na produção de energia no futuro. Com os preços dos combustíveis fósseis a aumentar e com os ganhos de eficiência que se espera que se consigam nas energias renováveis, estas poderão vir a ser uma alternativa ou até uma primeira escolha. Mas isso é no futuro, se e quando forem efectivamente mais competitivas que as outras energias. Querer forçar a aposta nas renováveis é um completo desperdício de dinheiro em que só há um vencedor: quem fica com os subsídios.

Os Estados têm de deixar de ser interventivos, pois isso acarreta várias desvantagens. Primeiro, o Estado não costuma ser bom a identificar oportunidades de negócio - essa é competência dos empreendedores. Segundo, o facto de o Estado distribuir subsídios e decidir vencedores faz com que surja um conjunto de empresários menos escrupulosos a fazer pressão sobre o Estado para que este apoie os sectores em que estão envolvidos, de forma a poderem recolher os preciosos subsídios, com o acréscimo de corrupção que daí advém. Terceiro, cria uma situação de injustiça para aqueles que não recebem subsídios e que têm de competir com quem recebe subsídios. Por fim, os consumidores/contribuintes nem se apercebem de quanto os produtos subsidiados efectivamente lhe custam.

"o Secretário do Interior de Obama, Ken Salazar, congratulou-se com o
"maior projecto mundial" de produção de energia solar (1000 megawatts), no estado da Califórnia, que se prevê estar concluído em 2013, e que goza de um aval estatal sobre empréstimos de 2,1 mil milhões de euros."

"entre a fonte mais cara (a solar) e a mais barata (gás natural e ciclo combinado) a diferença é de cinco vezes mais!!!"



http://espectadorinteressado.blogspot.com/2011/06/25-anos-de-obamanomics.html

Tuesday, June 21, 2011

Tribunal de Contas detecta quase 3 mil milhões de despesa pública irregular

Como 1000 milhões eram poucos milhões...

A despesa pública irregular detectada pelo Tribunal de Contas disparou 184% em 2010 face ao ano anterior. A entidade presidida por Guilherme d''Oliveira Martins detectou, no âmbito do controlo sucessivo, gastos irregulares superiores a 2845,5 milhões de euros. Este montante é quase o triplo dos 1003,5 milhões identificados em 2009. Em compensação, na fiscalização prévia, o Tribunal de Contas (TC) recusou o visto a 53 actos e contratos, travando a realização de despesa pública irregular no montante de 131,1 milhões de euros.

No relatório de actividades e contas de 2010, ontem divulgado, o TC revela que a despesa pública irregular decorre de "situações muito diversas, das quais se salientam pelo seu valor mais elevado: violação dos princípios e regras orçamentais da anualidade, da unidade e universalidade, da não compensação, da especificação, da unidade de tesouraria do Estado; e registo de receitas extraordinárias sem terem sido reflectidas nas demonstrações financeiras as correspondentes responsabilidades perante terceiros".

Monday, June 20, 2011

Boas notícias

Passos Coelho cometeu um erro ao inovar e convidar alguém a concorrer nas listas do PSD prometendo-lhe a eleição para o cargo de presidente da Assembleia da República. Para além do próprio acto de oferecer o cargo estar errado, mais errado está quando se trata de alguém sem a mínima preparação para o cargo e - pior ainda - que fez uma campanha para Presidente da República que só teve de relevante a demarcação e o menosprezo dos políticos portugueses. Naturalmente que esses mesmos políticos portugueses não lhe deram a vitória.

Contudo, este episódio parece-me insignificante. Fernando Nobre sofre uma pesada derrota. Passos Coelho comete um erro de efectiva pouca gravidade. A Assembleia da República vai ter um presidente mais competente, portanto parece-me uma boa notícia para o funcionamento da mesma e para o funcionamento das instituições democráticas.

Austríacos v Chicago

Excelente artigo de Bob Murphy, o homem que desafiou Paul Krugman para um debate.

Friedman:
"The relevant question to ask about the "assumptions" of a theory is not whether they are descriptively "realistic," for they never are, but whether they are sufficiently good approximations for the purpose in hand."

"Mises thought that the core body of economic theory could be logically deduced from the axiom of "human action," i.e., the insight or viewpoint that there are other conscious beings using their reason to achieve subjective goals."

Ou seja, von Mises olha para a economia como um prolongamento da filosofia, enquanto que Friedman levantava hipóteses e verificava se elas coincidiam com a realidade.

Sunday, June 19, 2011

Indignado estou eu!

Alguém já percebeu exactamente o que eles querem?

Só percebi que há uma menina prestes a licenciar-se que não tem futuro neste país porque, se conseguir emprego, será precário. Como ela tem direito a um emprego estável assim que sair da faculdade, vai ter de emigrar para um país que provavelmente terá leis menos "protectoras" do emprego.

O eduquês no seu melhor

Ou no seu pior.

Ora cá está um bom exemplo do que falava Nuno Crato.
Foram estas mentes brilhantes que tomaram conta do ensino em Portugal. Na cabeça destes senhores, exigência, avaliação, disciplina, são tudo entraves à educação das pobres criancinhas.
Espero sinceramente que o novo Ministro da Educação consiga erradicar esta mentalidade que conduziu o sistema de ensino à mediocridade. Já agora, porque não acabar também com as notas e os chumbos? Em seguida, poderíamos simplesmente fechar as escolas que ninguém notava.

O senhor Feytor Pinto aparentemente goza de boa saúde mental, mas disse estas pérolas:

"a substituição das provas de aferição por exames com peso na nota dos alunos só vai servir para agravar a febre do quantitativo que se instalou nas escolas".

"há aprendizagens que são importantes - como a oralidade, a pesquisa e selecção de informação na Internet ou a cooperação - e que não se vêem nos exames."

Friday, June 17, 2011

IMF cuts U.S. growth forecast, warns of crisis

Os estados andaram a armar-se em salvadores da economia, como se uma bolha especulativa pudesse ser tratada sem sofrimento e agora apercebem-se que a bolha está a rebentar nas mãos deles.

Concordo

A Câmara está falida e agora tenta arranjar recceitas extraordinárias alugando zonas nobres da cidade. Desta ainda ninguém se tinha lembrado.

Protector solar = tabaco?

Do conteúdo da notícia deduzo que o principal a reter desta notícia é que os cremes com alegado factor de protecção superior a 50 e resistentes à água não passam de uma mentira.
É importante que nenhum produto seja comercializado com informação deficiente ou incorrecta e creio que esse deve ser um dos principais papéis da regulação.

http://www.publico.pt/Sociedade/cremes-com-proteccao-solar-acima-de-50-e-a-prova-de-agua-sao-puro-marketing_1499000

PS: Na notícia, a mentira é apelidada de marketing, o que está absolutamente errado, porque mentir não tem nada a ver com marketing - se calhar a confusão vem dos tempos em que Sócrates mentia aos portugueses e os jornalistas chamavam-lhe marketing.

Intervencionismo no futebol

Será que este senhor alguma vez dirá alguma coisa acertada? Os adeptos gostam do clube e dos jogadores que lá jogam independentemente da nacionalidade destes. Na próxima época o Benfica não terá nenhum jogador português no onze base e não será por isso que algum adepto deixará de apoiar o Benfica.

Este senhor esquece-se que emigrou à procura de uma vida melhor. Muitos jogadores portugueses de alto nível estão a fazer o mesmo, daí que seja cada vez mais difícil mantê-los.
O que eu não percebo é quem sai prejudicado por os clubes terem poucos jogadores do seu país. Jogadores, clubes, adeptos e selecções, por motivos diversos, ficam todos a ganhar.

A regra de obrigar os clubes a inscrever alguns jogadores da sua formação (com o louvavel intuito de proteger os jogadores jovens) teve duas consequências:
  • os clubes estão a ir buscar jogadores estrangeiros cada vez mais novos para estes poderem ganhar o estatuto de jogador da formação.
  • os clubes passaram a ter alguns jogadores jovens no plantel que nunca jogam. Estes jogadores podiam ser emprestados, jogar e evoluir. Mas para que os clubes possam cumprir as regras do senhor Platini, que obrigam a ter jogadores da formação inscritos nas competições europeias, acabam por passar a época toda a treinar sem nunca jogar.

Outra coisa que arrepia é a perseguição ao FC Porto. Porque não falou ele do Arsenal, do Inter ou do Chelsea?

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=269699

Matemática vs Filosofia na Economia

A tentativa dos economistas se socorrerem da matemática para modelar a economia vai sempre fracassar. Enquanto não perceberem que a economia que eles tentam modelar tem de ter por base a filosofia, e que é esta que define a ciência económica, não a matemática, continuarão a surgir novas teorias, novos modelos, novas experiências, sem interesse nenhum.

Os austríacos defendem que o valor mais importante na acção humana é a liberdade individual. Partindo desse princípio, o modelo económico liberal é aquele que melhor o defende, independentemente de todas as contas que se possam fazer para suportar ou refutar o modelo económico. Mesmo que o planeamento centralizado obtivesse melhores resultados (que claramente não obtém), seria sempre uma má solução do ponto de vista filosófico, pois exigiria que o Homem abdicasse da sua liberdade individual. Obviamente que os socialistas não concordam com o modelo liberal porque o princípio que lhe está na base não é defendido pelos socialistas, que acreditam sobretudo no colectivismo e, consequentemente, no planeamento central da economia.

Ou seja, a discussão económica não faz sentido, o que faz verdadeiramente sentido é a discussão filosófica. A economia apenas concretiza o pensamento filosófico.

"Só o homem pode estudar o homem e a sua interacção com o exterior, usando ferramentas do homem - a reflexão argumentativa, e não a matemática pura que falaria como que consigo própria.
"

http://blog.causaliberal.net/2011/06/ciencia-economica-os-neoclassicos-e-os.html

Wednesday, June 15, 2011

O que é que vão proibir a seguir?

Califórnia proíbe lâmpadas de 100W para poupar energia.

Será que as pessoas agora vão passar a comprar mais lâmpadas de 60W ou 80W para compensar?
Alguém percebe que o Estado tenha o poder e a vontade de tomar medidas destas?

Tuesday, June 14, 2011

Not looking good...

FRANCISCO (MarketWatch) -- Cisco Systems and Juniper Networks were both downgraded by RBC Capital on Tuesday morning, with analyst Mark Sue basing the moves - in part - on his belief of "commoditization of the switch market." Cisco CSCO -0.03% was cut to underperform from outperform, with Sue writing that the networking giant "may be preoccupied with re-org and restructuring and not on reclaiming lost market share, expanding its product development and improving its financial model." Juniper JNPR +0.64% was downgraded to a sector perform, or neutral, rating, with Sue writing that the company faces "a back end loaded quarter and slowing demand for some of its switches and security products" in the near term.

http://www.marketwatch.com/story/cisco-juniper-downgraded-by-rbc-capital-2011-06-14?siteid=yhoof2

Comprar?

Talvez seja a altura indicada para quem estava à espera de um bom momento.
Parece-me que se a prata descer aos $32 é uma belíssima oportunidade de compra e se descer aos $30 torna-se uma pechincha.

SLV hoje abriu nos $33.87.

http://seekingalpha.com/article/274736-option-expiration-for-metals-lots-of-puts-on-slv-more-calls-on-gld?source=yahoo

Serviço público

Esta peça era digna de aparecer nos documentários de Milton Friedman ou num Stossel.

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/creche-loule-tvi24-algarve/1260232-4071.html

É um bom sinal

Conseguir tratar deste assunto em tão pouco tempo é um bom sinal. Vamos a ver se para além de rápidos também serão competentes.

http://www.tvi24.iol.pt/politica/passos-coelho-cavaco-silva-primeiro-ministro-pm-governo-tvi24/1259997-4072.html

E não deviam agir sempre assim?

Agora que há crise e têm de ser geridos como outra empresa qualquer, decidiram ligar aos estudos de custo-benefício,

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1702329

Crise: Keynes v Austrians

A diferença é que os Keynesianos dizem que as crises são imprevisíveis, enquanto que os Austríacos sabem identificar e prever as crises e as suas consequências. Só não sabem determinar exactamente quando as crises começam...

http://mises.org.pt/posts/blog/677/

Já ouvimos isto

Há uns tempos, Angela Merkel dizia o mesmo que o Ministro da Finanças holandês vem agora dizer. O que é certo é que tudo tem sido feito para proteger os credores à custa dos contribuintes europeus, que estão cada vez mais expostos aos erros cometidos pelos governos dos outros países.

Desta vez é o sector bancário que é salvo pelos Estados. Estes bailouts a Grécia, Irlanda e Portugal são um bailout aos bancos com dívida soberana. Os bancos têm de perceber que não podem apenas acumular lucros. Não há sector económico nenhum que não esteja sujeito a perdas. No caso da banca tudo é muito mais promíscuo, porque os bancos apoiam os governos quando estes precisam emprestando-lhes dinheiro (ou, como se diz na gíria jornalística, comprando-lhes dívida). Quando, mais tarde, esses mesmos governos não lhes conseguem pagar de volta aquilo que irresponsavelmente lhes foi emprestado, os bancos cobram o favor e ameaçam com a ruptura do sistema financeiro, forçando os governos a ceder.

http://economia.publico.pt/Noticia/divergencias-entre-o-bce-e-a-ue-agravam-a-crise-da-divida_1498587

Começar a construção de uma casa pelo tecto

A promessa de Pedro Passos Coelho de apenas ter 10 ministros no seu governo parece ser apenas retórica. De que nos serve ter menos ministros se toda a estrutura dos antigos ministérios se mantém? Manter a estrutura e reduzir o número de ministros até se pode revelar contra-producente. O que é preciso é cortar na estrutura, tanto ao nível do raio de acção dos ministérios como da duplicação de esforços. Depois de resolvido esse problema, a redução do número de ministros virá de forma natural.

http://publico.pt/Pol%C3%ADtica/fernando-nogueira-volta-a-ser-chamado-e-portas-fica-com-negocios-estrangeiros_1498606

Porque não se devia compensar os agricultores

As intervenções do Estado nos sectores da actividade económica provocam consequências indesejadas. Não me vou debruçar sobre os diversos tipos de intervenções e as suas consequências. Apenas vou comentar o que o tipo de intervenção que há no sector da agricultura.

A agricultura é das actividades económicas em que os apoios do Estado mais peso têm. Além disso, é extremamente condicionada pela PAC, que define quotas de produção para cada país, ao bom estilo do planeamento centralizado da União Soviética. As consequências destes apoios são que uma actividade que é absolutamente essencial e indispensável e com todas as condições para ser um sector atractivo se torne extremamente deficitária. Sem subsídios, só empresas que sejam rentáveis podem manter-se em operação. Com subsídios, negócios que não seriam rentáveis sem subsídios, de repente tornam-se rentáveis. Isto atrai mais empreendedores para esta actividade, o que faz com que os empresários que já estavam no sector também queiram apoios. Passado algum tempo, uma boa parte do sector só será rentável com subsídios - no limite, todo o sector. Naturalmente que quando surgem episódios como este da E. coli, os empresários fazem pressão sobre os governantes, pois são eles os responsáveis pela subsistência do sector.

Sem subsídios, esta situação nunca ocorreria. Os empresários do sector teriam de ser competentes, o sector teria de ser competitivo e teria de estar preparado para eventuais problemas. Todos os sectores de actividade económica estão sujeitos a riscos e os bons empresários têm de fazer planos de contingência para lidar com esses riscos. Ser um bom empreendedor é correr riscos calculados que valham a pena. Não é correr riscos injustificados nem ter risco zero e retorno garantido. Este é precisamente o mesmo problema das PPPs, mas não vou entrar por aí.

Outro factor a considerar quando se apoia um sector é a injustiça que isso representa. Porque é que um sector tem direito a apoios e outros sectores não têm? Porque é que um agricultor tem direito a apoios mas um sapateiro não tem? Porque é que, quando não consegue vender, o agricultor tem direito a compensações mas uma fábrica de calçado não tem?

Uma situação semelhante é a da cultura, em que o repsectivo ministério é um autêntico traficante de subsídioss que distribui subsídios a artistas subsídio-dependentes. Mas a cultura ficará para outra altura.

http://economia.publico.pt/Noticia/ue-discute-hoje-compensacoes-aos-agricultores-por-causa-da-bacteria-e-coli_1498601

Início

Vou começar a publicar alguns comentários com as minhas opiniões sobre temas que me interessem.
Para já, a minha intenção é simplesmente registar os meus pensamentos e naturalmente partilhá-los com que os achar interessantes.