Monday, June 27, 2011

Agricultura Biológica

Alguns amigos que tenho em alta consideração gostam muito de agricultura biológica. Eu sempre encarei a agricultura biológica como algo de que as pessoas com bom gosto e com algumas posses gostavam. Era como se a agricultura biológica produzisse bifes do lombo e a agricultura não biológica produzisse carne do acém. Ou seja, tinha muito maior qualidade.

Há uns anos recordo-me de ter visto um documentário francês sobre agricultura biológica. O documentário concluia que os produtos de agricultura biológica tinham um teor de vitaminas residualmente superior ao da agricultura não biológica. Em alguns casos não havia sequer qualquer diferença. Nesta altura ainda vivia em casa dos meus pais e não ia ao supermercado e, naturalmente, não comprava vegetais, mas este documentário ficou-me marcado na memória. Não sei se ambas produzem bifes do lombo ou carne do acém, mas o que parece ser certo é que tanto a agricultura biológica como a agricultura não-biológica produzem vegetais indiferenciados, ou seja, se testarmos 2 vegetais não conseguimos distinguir qual deles é produto da agricultura biológica.

Ora, agora que vou ao supermercado e comparo preços de alguns vegetais, percebo que a agricultura biológica é uma agricultura para pessoas muito caprichosas (e ricas, convém que sejam ricas). Há uns dias, no pingo doce, comparei uns tomates biológicos com uns tomates não biológicos. Os primeiros custavam 12€/Kg, os segundos 1.49€/Kg. Se tivermos em conta que os produtos são virtualmente idênticos, a única diferença é o processo de agricultura em que foram produzidos, parece-me que não faz sentido comprar produtos biológicos.

Quando passamos ao assunto dos transgénicos, parece-me que se entra num outro domínio, em que as opiniões são muito mais extremadas (pelo menos do lado dos que não os aceitam).
Não sou especialista na matéria, mas o que é certo é que o homem cruza espécies de vegetais para tentar melhorar as características dos mesmos há séculos. A grande diferença entre estes cruzamentos e os transgénicos é que com a biotecnologia se podem "cruzar" espécies totalmente diferentes. Ou seja, enquanto que antigamente só podíamos cruzar dois tipos de milho, hoje podemos criar milho com um gene de uma abelha, de modo a que o milho produza uma toxina que faça com que determinadas pragas não o afectem.

Então por que razão há tanto medo? Porque é muito mais fácil meter medo do que discutir os assuntos de forma desapaixonada e racional (veja-se o caso do aquecimento global). Eu aceito que tenham de ser feitos testes com os alimentos transgénicos antes que estes possam ser comercializados, para garantir que não há efeitos nocivos para o ser humano. Mas rejeitá-los simplesmente por princípio parece-me não só errado como altamente prejudicial e egoísta. Há muita gente a passar fome no mundo inteiro e os alimentos transgénicos poderiam ter um papel crucial para suprir as carências alimentares dessas pessoas.


Note-se que apenas estou a pronunciar-me quanto à agricultura biológica, ou seja, não falei em produção de carne biológica, em relação à qual tenho uma opinião ligeiramente diferente.

No comments:

Post a Comment